Nem tudo é um grande projeto. Às vezes, tudo começa com uma pequena descoberta.
Observar, documentar, construir possibilidades e descobrir o que um atelier pode ser.
Escutar o brincar: da observação à continuidade
Estamos a chegar à última semana da formação Escutar o Brincar.
Depois de um primeiro momento dedicado à observação e à construção de um olhar mais atento sobre as crianças, entramos agora numa etapa particularmente importante: colocar em prática o nosso Caderno de Observação.
Observar é o ponto de partida, mas o verdadeiro desafio está naquilo que fazemos com o que observamos. Que pistas encontramos? Que interesses persistem? Que relações se constroem? O que nos dizem os gestos, as palavras, as repetições e as escolhas das crianças?
O Caderno de Observação foi pensado para acompanhar este processo, ajudando a transformar pequenos episódios do quotidiano em possibilidades de reflexão e continuidade pedagógica.
Porque escutar o brincar implica disponibilidade para olhar novamente, questionar as nossas interpretações e permitir que a observação transforme as nossas decisões.
Em novembro: Construção de grelhas para a observação
Em novembro, temos uma nova formação: Construção de Grelhas para a Observação.
Saber observar também implica saber o que procurar. Os indicadores que escolhemos fazem toda a diferença, porque orientam o nosso olhar e ajudam-nos a reconhecer processos de aprendizagem que, por vezes, passam despercebidos.
Nesta formação, vamos pensar na construção de instrumentos que façam sentido para os grupos, para as idades e para os contextos educativos. Grelhas que não servem para classificar crianças, mas para apoiar a intencionalidade pedagógica, identificar competências, reconhecer progressos e projetar novas oportunidades.
A observação, a documentação e a avaliação não são momentos isolados. Fazem parte de um mesmo processo de compreensão da aprendizagem.
Documentação participada: construir o diário de grupo com as crianças
Partilha de práticas - Associação A QUINTA - Comunidade de Aprendizagem.
Na nossa prática, a documentação tem procurado assumir uma dimensão participada. Não queremos que seja apenas o adulto a observar, selecionar fotografias, escrever e interpretar o que aconteceu.
As propostas de Enfiamentos tem levado à construção de várias sessões com diferentes tipos de materiais e desafios.
Queremos que as crianças participem na construção das narrativas sobre aquilo que vivem, descobrem, experimentam e partilham.
É neste sentido que temos vindo a construir o nosso Diário de Grupo. Um espaço de memória coletiva, onde recuperamos acontecimentos, revisitamos experiências, reconhecemos ideias e damos visibilidade às vozes das crianças.
Quando uma criança reconhece uma fotografia, acrescenta uma informação, recorda uma conversa ou corrige a interpretação do adulto, está também a participar na documentação da sua própria experiência.
E é precisamente aqui que encontramos uma relação importante entre as grelhas de observação e o Diário de Grupo.
As grelhas ajudam-nos a identificar competências, processos e indicadores. O Diário de Grupo permite-nos recuperar os acontecimentos, as ideias, os interesses e as narrativas que emergem da vida quotidiana. Quando cruzamos estas duas ferramentas, encontramos mais elementos para pensar o que poderá acontecer a seguir.
É deste encontro que nasce a nossa progettazione: uma projeção pedagógica que não parte de um plano fechado, mas de uma leitura atenta daquilo que está a acontecer e daquilo que poderá ganhar continuidade.
Nem tudo é um grande projeto: Microprojetos
Há uma ideia que gostamos particularmente de reforçar: nem todos os interesses precisam de se transformar em grandes projetos.
Às vezes, um interesse é partilhado por todo o grupo. Outras vezes, pertence apenas a duas ou três crianças. Pode surgir numa pergunta, numa descoberta, numa construção ou numa vontade de repetir determinada experiência.
E merece atenção na mesma.
Os microprojetos permitem-nos acompanhar esses pequenos núcleos de interesse, respeitando os diferentes ritmos, curiosidades e formas de participação. Não precisamos de transformar tudo numa proposta coletiva, nem de prolongar artificialmente uma exploração que já encontrou o seu próprio caminho.
O importante é reconhecer o valor pedagógico dessas pequenas investigações e criar condições para que possam acontecer.
€5.00
E-book 2 "A importância dos micro-projetos no pré-escolar"
E-book com 10 páginas para ajudar na implementação de Micro-projectos (resultado da escuta das crianças). Podem usá-lo... Read more
Materiais de fim aberto: há muito mais para construir!
Bobines, cilindros e cones de cartão. Materiais simples, com muitas possibilidades e sem uma utilização previamente determinada.
Podem transformar-se em torres, caminhos, túneis, estruturas, veículos, personagens ou construções que ainda não têm nome.
São materiais que convidam a experimentar relações de equilíbrio, dimensão, peso, altura, forma e espaço. Materiais que permitem construir, desconstruir, combinar, transportar e voltar a experimentar.
Temos ainda para venda algumas : Bobines (2€); cones e cilindros de cartão grosso (1€)
Na educação de infância, o valor de um material não está necessariamente naquilo que conseguimos fazer com ele, mas naquilo que permite às crianças imaginar, descobrir e construir.
Temos disponíveis novos materiais de fim aberto para enriquecer os ambientes educativos. (ver imagem e ler legenda). Se estás interessado, responde a esta newsletter. Envios apenas por InPost.
E, se ainda não conheces, recordamos também o nosso Livreto de Cartão, com ideias e possibilidades para explorar este material tão versátil.
Entramos em novembro e, por aqui, não fizemos do Halloween o centro das nossas experiências.
Demos prioridade aos nossos ateliers de culinária, que surgem na continuidade dos ateliers de jardinagem.
Porque, para nós, faz sentido aproximar aquilo que cultivamos daquilo que transformamos e comemos. A terra, as sementes, as plantas, os alimentos, as mãos que amassam, misturam, cortam e preparam.
Um atelier é muito mais do que uma atividade artística. É um contexto de investigação, experimentação, relação e descoberta.
Na culinária, exploramos texturas, cheiros, sabores, quantidades, transformações e propriedades dos materiais. Exercitamos a coordenação motora, a autonomia, a cooperação e a capacidade de antecipar e acompanhar sequências de ação.
Há ciência, matemática, cultura, linguagem, sensorialidade e tantas outras aprendizagens numa simples massa de pão.
E há também algo fundamental: a possibilidade de participar em práticas reais, com significado na vida quotidiana.
Um atelier não precisa de começar com tintas, nem de terminar com um produto bonito para levar para casa. Pode começar com uma batata-doce acabada de colher e terminar numa descoberta sobre aquilo que somos capazes de transformar com as nossas mãos.
A alimentação sempre presente na nossa prática.
Novembro traz-nos novas oportunidades para observar, escutar, experimentar e construir.
Continuamos a acreditar numa pedagogia que não procura antecipar todas as respostas, mas que cria condições para que as perguntas possam surgir. Que reconhece a competência das crianças e que encontra no quotidiano matéria para pensar, documentar e projetar.
Porque é nos pequenos acontecimentos que, muitas vezes, encontramos as grandes possibilidades de aprendizagem.
PS - Em Maio, temos a nova sessão do ENTRE PRÁTICAS em BRAGA. Por isso, se perdeste o I nao deixes escapar este. Segue a página do Instagram para manteres um olho.
Até à próxima semana,
Ana
A Alimentação sempre presente no nosso quotidiano.
NOVIDADES DA SEMANA Formação NOVA Saber mais & inscrição O outono convida-nos a abrandar, a observar com mais atenção e a descobrir novas possibilidades nos materiais que a natureza nos oferece. As folhas mudam de cor, as sementes escondem histórias de crescimento e as grandes árvores tornam-se lugares de exploração, encontro e descoberta. É também uma boa altura para renovar os materiais que acompanham o quotidiano educativo, encontrar novas propostas para explorar com as crianças e investir...
Outubro Loja Online Este fim de semana estive em Lisboa, no painel de oradores do @entre_praticas e junto com os colegas formadores voltamos a relembrar como é bom: brincar, criar e estar lá fora. Foi muito bom rever amigos, formandos, conhecer pessoas novas e falar um pouco do que foi este ano de 2025 e de quantos projetos tive a oportunidade de conhecer. Fiquem atentos, pois este Encontro vai-se realizar mais vezes e em vários pontos do país. Levei muita documentação, muitos livretos e...
Fechar o ano Loja Online Chegamos àquela altura do ano em que os dias parecem passar mais depressa. Entre festas de final de ano, avaliações, reuniões com as famílias e a preparação dos portfólios, procuramos encontrar tempo para olhar para trás e compreender tudo o que aconteceu ao longo destes meses. As celebrações de final de ano ocupam frequentemente o centro das atenções. Há ensaios, fotografias, despedidas e momentos de convívio. Mas, para quem trabalha em educação de infância, este é...