Chegamos àquela altura do ano em que os dias parecem passar mais depressa. Entre festas de final de ano, avaliações, reuniões com as famílias e a preparação dos portfólios, procuramos encontrar tempo para olhar para trás e compreender tudo o que aconteceu ao longo destes meses.
As celebrações de final de ano ocupam frequentemente o centro das atenções. Há ensaios, fotografias, despedidas e momentos de convívio. Mas, para quem trabalha em educação de infância, este é também um período profundamente reflexivo. Enquanto organizamos documentações, selecionamos fotografias, revemos notas de observação e reunimos os trabalhos das crianças, reencontramos percursos que, no ritmo acelerado do quotidiano, nem sempre tivemos oportunidade de contemplar na sua totalidade.
Os portfolios reunem todos os produtos que as crianças fizeram durante o ano. De uma forma simples, acompanham a criança, estes pequenos pedacinhos gráficos das suas conquistas, descobertas e investigações. E no Diário de grupo são preenchidas as ultimas páginas.
É também um momento que nos convida a refletir sobre o verdadeiro significado da avaliação na educação de infância. Avaliar não é medir a criança nem compará-la com outras. É procurar compreender quem ela é hoje, o caminho que percorreu e as condições que favoreceram a sua aprendizagem, o seu bem-estar e a sua participação.
E depois chegam as despedidas.
Despedimo-nos das crianças que partirão para novas salas, novas escolas ou novos desafios. Despedimo-nos das famílias com quem partilhámos conversas diárias, dúvidas, alegrias e preocupações. Sabemos que faz parte do ciclo natural da educação. Ainda assim, cada despedida transporta consigo uma mistura de orgulho e saudade.
Entre festas, avaliações e despedidas, vamos fechando mais um capítulo. Com a consciência de que educar é acompanhar durante um tempo, sabendo que o mais importante é preparar as crianças para continuarem a caminhar sem nós, levando consigo as experiências, os vínculos e as histórias que construímos em conjunto.
As salas e os espaços transformam-se gradualmente, abrindo ainda mais espaço ao brincar livre, aos encontros espontâneos e ao prazer de estar. Regressam os materiais mais apreciados pelas crianças, os jogos que marcaram o ano e os convites à exploração que continuam a despertar interesse. Ao mesmo tempo, a documentação assume um lugar de destaque como suporte de memória e de identidade. As salas não se despem totalmente para dar lugar ao novo ano. Pelo contrário, permanecem habitadas pelas histórias que construímos em conjunto, pelas imagens dos processos vividos e pelos vestígios das experiências que nos definem. No nosso caso, ficam especialmente presentes os valores que orientam a nossa prática, as escolhas pedagógicas que sustentam o quotidiano e a profunda ligação das crianças aos animais, à natureza e à vida da quinta.
A todos os profissionais que chegam a este final de ano com a sensação de terem dado tudo o que tinham para dar, mas que ainda encontram pela frente reuniões, avaliações, portfólios, despedidas e inúmeras tarefas por concluir, deixamos uma palavra de reconhecimento e de encorajamento. O cansaço que se faz sentir nestas semanas é também o reflexo da dedicação, da presença e do cuidado investidos ao longo de todo o ano. Que encontrem tempo para celebrar o caminho percorrido, para reconhecer o valor do seu trabalho e para guardar as memórias que verdadeiramente importam. E que, entre a azáfama dos últimos dias, consigam ainda desfrutar dos sorrisos, dos afetos e da beleza discreta que acompanha sempre o encerramento de um ciclo. Boa sorte para esta reta final. O descanso chegará, mas antes dele há ainda histórias importantes para concluir e celebrar.
Fica o convite para umas leituras de verão dos nossos livretos e Ebooks.
Boas leituras,
Ana