A newsletter de hoje é dedicada ao inverno, um tempo que convida a abrandar, a observar e a sentir. Com Portugal a atravessar dias de frio intenso e algumas zonas do país cobertas de neve, este é um momento particularmente fértil para trazer o inverno para dentro da sala, não como um tema distante, mas como uma experiência viva, próxima e significativa para as crianças.
Neste sentido, disponibilizamos o material digital “Postais de Portugal”, um conjunto de fotografias publicadas em jornais nacionais que documentam diferentes zonas do país em contexto invernal. Estas imagens podem ser impressas e integradas nos espaços da sala, ocupando o lugar dos contextos e funcionando como dispositivos visuais que provocam diálogo, observação atenta e construção de hipóteses. Através destas imagens reais, as crianças contactam com a diversidade do território, com as variações climáticas e com a forma como a paisagem se transforma com o frio, a neve e a chuva.
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Trazer o inverno para dentro da sala não significa reproduzir artificialmente a natureza, mas criar contextos investigativos onde a temperatura, a cor, a luz e os estados da matéria se tornam linguagem. As imagens, articuladas com materiais como gelo, água fria ou elementos naturais recolhidos no exterior, ampliam a experiência sensorial e cognitiva, permitindo que as crianças estabeleçam relações entre o que veem, o que tocam e o que sentem. O adulto, neste processo, observa, escuta, regista e sustenta, reconhecendo que a aprendizagem emerge da relação entre o corpo, o pensamento e o ambiente.
Esta forma de trabalhar reforça a ideia de que o currículo se constrói a partir do mundo real e vivido, e que a documentação visual é um poderoso mediador da aprendizagem, ao tornar visível o pensamento das crianças e ao ancorar a reflexão pedagógica em experiências concretas e contextualizadas.
Documentação dos percursos realizados no ano passado.
Como refere Carla Rinaldi, a educação ganha profundidade quando se funda numa pedagogia da relação, onde a criança está em diálogo constante com o mundo e com os outros, e onde a experiência sensível é reconhecida como origem do conhecimento.
Sobre os contextos, lançámos em dezembro o livreto “Contextos Investigativos”, inteiramente dedicado a esta temática central da prática pedagógica. Neste material exploramos o porquê de criar contextos, como estes se relacionam com a imagem de criança que sustenta a nossa ação educativa e de que forma podem ser pensados como dispositivos vivos de investigação, e não como cenários estáticos ou meramente decorativos.
Ao longo do livreto aprofundamos o papel do adulto na observação, escuta e documentação, bem como os critérios para a seleção e organização dos materiais, a leitura pedagógica do espaço e a avaliação da pertinência dos contextos ao longo do tempo. São propostas linhas de reflexão que ajudam a compreender como os contextos podem ampliar interesses, sustentar processos de aprendizagem e favorecer relações mais ricas entre crianças, materiais e ambiente.
Este livreto constitui um convite à reflexão individual e em equipa, apoiado por fundamentação teórica, questões orientadoras e exemplos práticos, contribuindo para uma prática mais consciente, coerente e alinhada com pedagogias participativas, onde o espaço é reconhecido como terceiro educador.
O outro livreto que lançámos foi “Repensar a Imagem de Criança”, um material que nasce da necessidade de aprofundar e questionar as conceções que sustentam a prática educativa, em particular nos contextos de berçário e creche. Apesar de a imagem de criança surgir frequentemente associada a discursos pedagógicos contemporâneos, nem sempre esta visão se traduz de forma coerente nas práticas quotidianas.
Neste livreto propomos uma reflexão crítica sobre a imagem de criança competente, curiosa e capaz de construir conhecimento, analisando as tensões existentes entre a imagem ideológica e as práticas observadas nos diferentes contextos educativos. São apresentadas questões orientadoras para reflexão individual e em equipa, que ajudam a tornar visíveis crenças, rotinas e decisões pedagógicas que, muitas vezes, passam despercebidas.
O material oferece ainda um mini-guia de reflexão, reforçando a ideia de que repensar a imagem de criança é um processo contínuo, ético e profundamente ligado à forma como organizamos os espaços, escolhemos os materiais e nos posicionamos enquanto adultos em relação às crianças.
Deixamos ainda a recomendação de vários materiais disponíveis na nossa loja online, pensados para apoiar a criação de contextos investigativos, enriquecer os espaços educativos e sustentar o brincar livre e heurístico. Estes materiais resultam de um trabalho continuado de observação, experimentação e reflexão pedagógica, estando alinhados com uma imagem de criança competente e com práticas que valorizam a curiosidade, a relação e a aprendizagem significativa.
A seleção apresentada procura apoiar os educadores na construção de ambientes vivos e intencionalmente pensados, onde os materiais não são meros recursos, mas verdadeiros mediadores de pensamento, diálogo e exploração.
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22 Postais de Inverno
22 Imagens de cenários de inverno para incentivar ao diálogo em grupo com as crianças. Uma forma diferente de introduzir... Read more
Vamos brincar? As cozinhas, aos cafés, restaurantes, mercearias... um palco para o jogo simbólico. Loja Online Partilhamos convosco o lançamento do novo livreto dedicado às cozinhas na sala e no espaço exterior. É um convite a repensar a cozinha de brincar como território pedagógico, cultural e relacional, onde a aprendizagem emerge da experiência vivida. Partindo da cozinha seca, integrada na sala, refletimos sobre a importância da vida prática, da autonomia e da repetição significativa dos...
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entre a chuva e o vento Ficamos cá dentro Loja Online Estamos na quarta semana dentro de portas, e a experiência tem sido dificil, trocamos as nossas 4 a 5 horas de exterior por saídas rápidas de 15 a 20 min de exterior. As crianças estão saturadas dos espaços pequenos, do barulho intenso (na nossa perspetiva), cansadas da luz amarela e estática. E, para nós, adultos, estar dentro é muito exigente. O (muito) mau tempo danificou árvores, o nosso espaço e algum equipamento outdoor. Contudo,...