Cuidado, tempo e infância - dos 0 aos 3 - Berçario e creche em destaque nesta mentoria


Este Programa de Mentoria nasce da convicção de que educar crianças dos 0 aos 3 anos exige tempo, pensamento e compromisso ético. Num contexto em que o berçário e a creche são frequentemente reduzidos a respostas organizacionais, afirmamos a necessidade de uma prática sustentada, investigativa e profundamente relacional.

Cuidado, Tempo e Infância 0–3 é um espaço formativo contínuo dirigido a todos que desejam aprofundar a qualidade do seu trabalho com bebés e crianças pequenas. Não se trata de acumular estratégias, mas de construir coerência entre a imagem de criança, a organização do ambiente, o ritmo quotidiano e a documentação pedagógica.

O programa dialoga com o pensamento de Emmi Pikler, Maria Montessori e Loris Malaguzzi. Contudo, não propõe a aplicação de metodologias nem a reprodução de modelos institucionais.

O foco centra-se nos valores, filosofia e princípios destes pedagogos: confiança na competência da criança, respeito pelo ritmo individual, autonomia progressiva, qualidade do ambiente e responsabilidade ética do adulto.

Durante os meses de janeiro e fevereiro visitámos 20 instituições do Norte e do Centro do país. A observação realizada nesses contextos reforça a necessidade urgente de formação contínua dirigida não só aos profissionais, mas também às direções das instituições.

Encontrámos adultos permanentemente apressados, frequentemente orientados para a novidade e para a sucessão de propostas. Observámos práticas centradas no adulto, sustentadas numa ideia difusa de currículo, presente como pressão implícita para antecipar aprendizagens e padronizar gestos. Em muitos contextos, a organização do quotidiano revelava uma tendência para a escolarização precoce e para a uniformização das experiências.

Paralelamente, escutámos discursos que evocavam o cuidado individualizado, a atenção à singularidade e o respeito pelo ritmo de cada criança. Contudo, nem sempre essas intenções se traduzem em práticas observáveis. A distância entre o discurso e a ação torna-se evidente na forma como o tempo é gerido, na ausência de momentos dedicados à observação e na fragilidade dos registos que sustentam decisões pedagógicas.

Esta realidade confirma a pertinência de recentrar a prática na criança. Reforça também a necessidade de recuperar a observação como instrumento estruturante do trabalho educativo.

Se queremos coerência entre discurso e prática, é indispensável desacelerar, criar tempo para observar, analisar registos e fundamentar decisões. A formação contínua não surge como complemento, mas como condição para transformar culturas institucionais e sustentar uma pedagogia verdadeiramente ética nos primeiros três anos de vida.

A mentoria presencial mantém-se disponível exclusivamente para instituições, porque a transformação pedagógica exige coerência coletiva, compromisso partilhado e uma cultura profissional construída em equipa. A prática pedagógica em educação de infância é relacional por natureza, não só na relação com as crianças, mas também entre adultos. Intervir apenas numa sala, sem diálogo com o restante contexto institucional, tende a fragilizar a sustentabilidade das mudanças.

Ao longo dos últimos quatro anos, vários educadores têm manifestado o desejo de realizar mentoria individual. Esta procura revela uma necessidade legítima de aprofundamento, reflexão e acompanhamento próximo. Ainda assim, sempre considerei que uma prática pedagógica inspirada numa ética relacional, não pode reduzir-se a uma intervenção isolada. A qualidade educativa constrói-se em rede, na negociação de significados, na observação partilhada e na corresponsabilização da equipa.

A mentoria que proponho nasce dessa visão. É a partilha de um posicionamento pedagógico sustentado, fundamentado na investigação e na experiência, e ancorado numa imagem de criança competente, relacional e ativa na construção do seu próprio percurso. É um convite que desejo que alcance vários educadores, permitindo que façam este caminho de forma consistente e ética. Mesmo quando o fazem a partir de contextos isolados, não o fazem sozinhos. A mentoria transforma-se numa comunidade reflexiva continuada, onde a documentação pedagógica, a análise de registos e o diálogo crítico sustentam uma construção coletiva de significado.

O programa de mentoria inicia em março através de uma formação assíncrona, um convite à leitura de bibliografia (sempre que possivel em português), à analise e resposta de questões para reflexão e a uma proposta para aplicar em contexto real. Cada participante é chamado a observar, a registar e a analisar as suas próprias práticas, apoiado pelas grelhas de observação cedidas e por uma análise posterior que sustenta uma verdadeira mediação pedagógica.

Cada mês organiza-se em torno de um eixo pedagógico específico, permitindo aprofundar dimensões estruturantes da educação de infância com tempo, continuidade e coerência. Esta progressão intencional possibilita consolidar o olhar profissional antes de avançar para outras camadas da prática, assegurando que as mudanças não são superficiais, mas fundamentadas.

O percurso decorre até junho, promovendo uma comunidade reflexiva continuada onde o diálogo e a partilha sustentam a construção coletiva de significado. Em agosto, regressamos com o tema da adaptação, caso exista interesse dos participantes para a continuidade.

Todo o programa será realizado online e a tempo do participante.

Em março, chega a primavera ...

Março aproxima-se com a promessa da primavera. A luz prolonga-se, o ar torna-se mais leve e a natureza inicia um novo ciclo de transformação. Neste mês, temos o Dia do Pai, um momento que pode ser vivido para além da prenda pontual.

A chegada da primavera convida-nos a sair mais, a observar os rebentos, a acompanhar as alterações no jardim, a integrar elementos naturais nas propostas da sala.

Para apoiar este percurso, disponibilizamos diferentes materiais pedagógicos pensados para este período do ano, centrados na natureza sazonal, nas relações familiares e na valorização dos contextos reais de aprendizagem. São recursos que podem sustentar a observação, o registo e a planificação, sempre com foco na escuta e na intencionalidade educativa.

Que março seja vivido como um convite à renovação, não só da paisagem exterior, mas também do nosso olhar pedagógico.

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Boas leituras, ´

Ana

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